Há um buraco aberto no meu quarto.
Há um buraco aberto, milimétrico,
no meio do meu quarto.
As folhas voam,
os móveis partem,
os sons dissipam.
Logo os tijolos não resistem,
caem em perfeita espiral.
Casas abandonadas,
túmulos sem defuntos
e páginas arrancadas
são evidências cruciais:
Quartos, caixões, cadernos
contorcem em torno da falta,
cedem a própria matéria,
ao fim, se reconstroem
ao contrário.
Estrelas viram antiestrelas,
são desfeitas as constelações,
invertidos os sinais.
Proponho uma anticosmologia
para remapear as rotas
antimateriais.
Contemplo da curva e já
não escapo a queda. Aqui,
me desfaço cada vez
mais completa.
Maria, 15.05.22.
Já faz um tempo, não é?
Caramba, e não é que faz um tempão mesmo!
ResponderExcluirOiê Maria, como tem passado menina, tudo bom contigo? Tava aqui pensando no que comentar mas calhou que fiquei sem palavras, hah, que poema bom de se ler! As rimas são como um refrão que eu sei de cor e acabam me prendendo mais na leitura, tanto que li repetidas vezes para ter certeza disso mas, acabei gostando mais do final... esse me deixou pensativa.
Bom ler algo seu novamente e até a próxima,
Snow ♡